TRABALHO REMUNERADO, NÃO UMA VIDA DE COMIDA, ROUPA E DINHEIRO ESMOLADOS.


GOSTARIA ALGUÉM (O SEU FILHO, FILHA...), DE VIVER TODA A VIDA DE ESMOLAS?


1. Sei que o Mário recebe ajuda e tem o carinho de muitos, a começar pela gerência e colaboradores da loja. Mas não era esse o meu ponto. Para o Mário pedia trabalho remunerado, não comida, roupa ou dinheiro esmolado, pois estes não são solução, nem dignificam ninguém. Ainda hoje, em conversa com ele, e diante da gerente de loja, o Mário manifestou interesse em executar tarefas à sua altura, pelas quais fosse remunerado. A pobreza gera habituação à esmola, ao nada fazer, e são muitos os que estão nesta situação. É dever da comunidade, nestas situações, o "desmame" e o trabalho apoiado.

2. Um dos transversais e graves problemas nas empresas é a hipocrisia. Esta não é geralmente criação de quem nelas trabalha, mas do sistema. Os colaboradores protegem-se, e ao fazê-lo permitem-se inúmeras injustiças contra colegas, entre colegas. Nada dizer, nada ver e nada ouvir é frequente atitude em momentos em que a justiça e verdade deveriam ser defendidas, custasse o que custasse. Mas as represálias são arma do sistema, e ninguém está para as suportar, para ser colocado de lado, na prateleira, e até perder o emprego. Mas não deixa de ser responsabilidade social dos trabalhadores de uma empresa, sendo seus stakeholders, o exigir que esta faça um pouco mais pela comunidade onde está inserida. Um comprador da revista de rua CAIS falava-me com frequência do quão importante era para si conversar com a pessoa que lha vendia todos os meses. O comprador era dono de uma relevante empresa, mas nunca lhe ofereceu trabalho, retirando-o assim da rua.

3. "Lázaro" é um predileto de "Deus" na narrativa cristã. Não é um nome pejorativo, um pobre coitado por quem se tem pena ou repugnância. É alguém a quem uma oportunidade pode fazer a diferença, retirando-o de uma situação de pobreza, ainda que milhares de residentes que trabalham em Portugal vivam pobres, infelizmente.

4. Sem entender corrigir absolutamente nada do que disse no meu anterior post, enfatizo que não entendi desrespeitar a gerência e os colaboradores do Pingo Doce de Buarcos. Sempre me pareceram corretos no trato e cuidado para com todos os seus clientes. Fique isso claro. São muitos os "Mários" deste país, Mários que pertencem à mesma comunidade a que pertencemos todos nós. E tal como pedimos trabalho para um filho, uma filha, primo ou tia (não comida, roupa ou esmola) também o devemos fazer por outros (é nossa responsabilidade, pessoal, empresarial), sobretudo pelos mais expostos e mais vulneráveis à exclusão, à pobreza.

5. Por último, agradeço a conversa com a Dona Filomena, gerente da loja.
Desta ficou o compromisso de juntos intercedermos pelo Mário e de conseguirmos para ele umas horas de trabalho protegido e remunerado. Este sim, seria ano novo, vida nova para o Mário. Oxalá o consigamos.

Texto de Henrique Pinto (publicado originalmente no FB)

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Funcionária de Supermercado em Faro Obrigada a Ficar Sentada numa Balança durante 8 horas

SUBVENÇÃO VITALÍCIA de 13.607,21 Euros Mensais: Ex-Militar e Último Governador Português de Macau Vasco Rocha Vieira é o Nº 1 da Lista

China ajuda Paquistão com “armas biológicas” para combater ataques